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Nesta quinta-feira, dados do IBGE mostraram que a taxa de desemprego subiu a 6,5% no trimestre encerrado em janeiro
Em setembro de 2024, o Banco Central (BC) começou uma trajetória de alta da Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira. Em pouco mais de cinco meses, o índice subiu 2,75 pontos percentuais e chegou aos atuais 13,25%.
Os juros sobem para conter a inflação e, consequentemente, impactam outros indicadores da economia, como a elevação da taxa de desemprego.
De acordo com economistas ouvidos pela CNN, levará de seis meses a um ano para que o mercado de trabalho sinta a interferência do aperto monetário.
Nesta quinta-feira (27), dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) mostraram que a taxa de desemprego subiu a 6,5% no trimestre encerrado em janeiro.
O resultado mostra alta de 0,3 ponto ante os três meses findados em outubro do ano passado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Renan Pieri, professor de economia da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV/EAESP), explica que leva um tempo até que os contratos no mercado de trabalho sejam reajustados e as empresas refaçam seus planos de negócios.
“Esse novo ciclo altista da Selic vai começar a ter efeitos mais concretos a partir do segundo semestre deste ano, quando se espera ver efeitos no mercado de trabalho”, diz.
“Não se espera, em princípio, um aumento expressivo da taxa de desemprego, mas certamente o fim desse ciclo de redução da taxa de desemprego”.
Rafael Perez, economista da Suno Research, traça o caminho da alta dos juros até a interferência no percentual de desempregados no país.
Ao aumentar a Selic, o Banco Central encarece o crédito, as empresas captam menos financiamentos, fazem menos investimentos e contratam menos trabalhadores.
Com esse movimento, o BC busca desacelerar a economia para conter a inflação, que se mantém acima do limite da meta de 3% — com tolerância de 1,5 ponto para baixo (1,5%) ou para cima (4,5%).
Conforme noticiado pela CNN Brasil, Perez afirma que a literatura econômica indica um prazo entre nove e 18 meses até que a taxa básica de juros interfira no crédito que as empresas captam. Porém, as decisões começam a ser tomadas imediatamente.
“Muitos empresários se antecipam a esse cenário de maior taxa de juros e começam hoje a apertar o cinto, basicamente diminuindo os seus gastos”, explica.
Bruno Imaizumi, economista da LCA 4Intelligence, pondera que cada setor da economia absorve a alta da taxa básica de juros de acordo com seu perfil, e que o efeito não é linear.
Para ele, o impacto no mercado de trabalho deve ocorrer entre nove e 12 meses.
“Setores mais sensíveis ao crédito tendem a ter um crescimento mais inibido [da taxa de ocupação]”, diz, citando indústria, construção civil e comércio.
“No agro, vejo um ano muito parecido, o ano de 2025 com o de 2023, quando a gente tinha um cenário também de juros elevados para aquela época e safra recorde. O que se verá são setores mais sensíveis crescendo de maneira mais comedida”.
Por: Matheus Oliveira