
Investidores se posicionam para o anúncio de tarifas recíprocas pelo presidente dos EUA após fim das sessões
O dólar fechou o pregão desta quarta-feira (2) em alta ante o real, enquanto o Ibovespa fica próximo da estabilidade, à medida que os investidores se posicionavam para o anúncio de tarifas recíprocas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com a expectativa de uma guerra comercial global no radar.
A moeda norte-americana registrou alta de 0,23%, cotado a R$ 5,6963 na venda.
Já o índice de referência do mercado acionário brasileiro subiu 0,03%, a 131.190,34 pontos.
A sessão desta quarta é marcada pelo anúncio de novas taxas comerciais por Trump, que já ocupa o foco dos mercados desde a semana passada, uma vez que o presidente norte-americano já vinha sinalizando a apresentação de tarifas recíprocas em 2 de abril, classificando a data como “Dia da Libertação“.
Tarifas de Trump e dados EUA
Trump, que prometeu ainda durante sua vitoriosa campanha à Casa Branca que buscaria equilibrar a balança comercial dos EUA, deseja responder às taxas e outras barreiras comerciais impostas por parceiros a produtos norte-americanos, mas forneceu poucos detalhes sobre as medidas planejadas.
O anúncio está programado para a partir das 17h (horário de Brasília), na Casa Branca, com as taxas entrando em vigor imediatamente.
Analistas temem o escopo e o alcance das tarifas de Trump, com a preocupação de que caso sejam altas e amplas possam reacender a inflação global e impactar a atividade econômica de vários países, provocando uma recessão.
Trump disse no último domingo (30) que as taxas atingirão todos os países, derrubando uma expectativa anterior de que as medidas fossem mais direcionadas para determinados parceiros e setores econômicos.
Desde que assumiu o cargo em janeiro, o governo de Trump tem sido marcado por suas ameaças tarifárias, muitas vezes seguidas de recuos ou adiamentos, o que tem apenas aumentado as incertezas entre investidores.
Conforme noticiado pela CNN Brasil, até o momento, Trump já implementou tarifas de 25% sobre importações de aço e alumínio, taxa de 20% sobre produtos chineses e tarifas de 25% sobre mercadorias de Canadá e México que não respeitem as regras de um acordo comercial da América do Norte.
Uma tarifa de 25% sobre importações de automóveis também entrará em vigor na próxima quinta-feira (3).
“A maior parte dos analistas acredita que o governo vai se focar nas tarifas de reciprocidade, nas tarifas sobre os países, mas o fato é que a gente continua com elevado grau de incerteza sobre um tópico da política comercial dos EUA que vai ter consequências sobre o restante do globo”, disse Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.
Diante da espera pelo anúncio, os agentes financeiros preferiam ficar às margens dos negócios, gerando pouca volatilidade nos mercados ao redor do mundo.
Em meio à espera por Trump, dados dos EUA também estavam no radar. A criação de vagas de trabalho no setor privado acelerou em março, mostrou relatório da ADP. Foram abertos 155.000 empregos no mês passado, depois de 84.000 em fevereiro. Economistas em pesquisa da Reuters previam 115.000 vagas.
Brasil
Na cena doméstica, o mercado ficará de olho em um evento de comemoração dos 60 anos do Banco Central, em Brasília, que contará com a presença do presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, além de ex-presidentes do BC.
Na frente de dados nacionais, o IBGE relatou que a indústria brasileira frustrou as expectativas e teve queda de produção em fevereiro. A produção teve recuo de 0,1% na comparação com o mês anterior, apresentando avanço de 1,5% ante o mesmo mês do ano anterior.
*Com informações da Reuters