Ibovespa fecha praticamente estável, com alta de Petrobras e quedas de bancos

Principais índices nos EUA fecham em queda novamente, de olho na IA

Depois do furacão Trump-Lula de ontem, as coisas se acomodaram hoje. O Ibovespa passou o dia no vermelho, mas sem muita força, chegou a virar para alta em alguns breves momentos, antes de terminar o dia em alta de 0,05%, aos 146.491,75 pontos, um ganho de 66,81 pontos. Praticamente estável, mas no maior patamar de fechamento da história.

O dólar comercial não quis conversa e avançou 0,90% sobre o real, fechando em R$ 5,327, em dia que o Banco Central vendeu US$ 2 bilhões e fez rolagem de contratos que vencem em outubro. Os DIs (juros futuros) terminaram a sessão com altas por toda a curva.

Conversa entre Trump e Lula segue na pauta

Era de se esperar mesmo que o Ibovespa devolvesse um pouco dos fortes ganhos não só de ontem, mas dos recordes conquistados nos últimos dias – foram sete sessões com máximas históricas só em setembro. Mas hoje a alta foi quase imperceptível.

O presidente em exercício, Geraldo Alckmin, entendeu que a tão falada “boa química” entre os presidentes do Brasil e dos EUA, Donald Trump, vai ajudar a resolver o tarifaço imposto pelo país norte-americano. “Uma boa química entre presidentes vai ajudar a buscarmos a melhor solução para resolvermos um tarifaço que não se justifica”, disse.

Mas as esperanças não recaem apenas em atração e admiração. No mundo prático e comercial, o preço do cafezinho anda subindo nos EUA e a reação bipartidária contra tarifas só cresce. “Nosso projeto de lei bipartidário é simples: remove as tarifas de Trump sobre o café para reduzir os custos”, disse o deputado Ro Khanna.

Bolsas nos EUA e Europa e cenário doméstico

Ajudou na fraqueza do Ibovespa a igualmente fraca quarta-feira dos principais índices em Wall Street, que fecharam todos em queda, mais uma vez ao contrário das altas na Europa, que ainda refletiram as falas de Trump ontem na ONU.

No terreno doméstico, sem Trump, Lula e Nações Unidas no foco, abriu-se espaço para atenção à cena política. No Senado Federal, a desastrosa PEC da Blindagem acabou sendo sepultada por unanimidade.

Na Câmara dos Deputados, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a defender a MP do IOF, que segundo ele é importante para fechar Orçamento sem cortar programas sociais. E o relator da MP que eleva a taxação de bets e aplicações financeiras, deputado Carlos Zarattini, propôs em parecer que seja mantida a isenção tributária sobre debêntures incentivadas, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA).

Por outro lado, propôs alíquota de 7,5% de IR para Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), Letras Hipotecárias (LH), Letra Imobiliária Garantida (LIG) e Letra de Crédito do Desenvolvimento (LCD).

De volta ao Senado, um texto alternativo à isenção do IR para rendas até R$ 5 mil foi aprovado em Comissão, jogando pressão sobre tramitação do texto do governo que está travado na Câmara.

Petrobras dispara e bancos caem

Enquanto a política não se entende, os negócios vão se acalmando. Nesta quarta-feira, Vale (VALE3) subiu com parcimônia: mais 0,38%.

Petrobras (PETR4), porém, disparou 2,26%, impedindo uma queda ampla do IBOV, graças à forte baixa dos estoques de petróleo nos EUA, que levaram a uma alta robusta das referências internacionais.

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O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, ainda voltou a defender hoje a exploração de petróleo na Margem Equatorial, região que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte.

Teve mais da petroleira: um grande banco ressaltou o pré-sal, elevou projeção e reiterou compra de PETR4. Só bonança hoje para o ativo!

Não fosse a Petrobras, as coisas talvez não teriam sido assim tão tranquilas para o Ibovespa, isso porque os bancos recuaram – pouco, mas recuaram, ainda preocupados com as consequências da Lei Magnitsky. A exceção quase foi o Banco do Brasil (BBAS3), que se segurou no positivo sem muita elasticidade, com projeção de estabilização na inadimplência do agro no 4T25, mas fechou mesmo com baixa de 0,09%.

Vibra (VBBR3) também recuou, mas com apenas 0,25%, mesmo com conquista de grau de investimento por agência de risco.

Pouco subiu a nova Marfrig/BRF (MBRF3), com mais 0,10%, após aprovar programa de recompra de até 25 milhões de ações ordinárias.

A quinta-feira volta a esquentar, com a divulgação do IPCA-15 de setembro no Brasil, e os números finais do PIB do 2T25 nos EUA, além de dados imobiliários e outros indicadores marginais. É na sexta-feira que sai o mais importante indicador, o PCE, índice de inflação de consumo pessoal, o preferido do Federal Reserve para fins de política monetária. Depois de uma semana atribulada, a sexta não poderia ser de outra forma. (Fernando Augusto Lopes)

Fonte: Infomoney – Por: Por Felipe Alves & Fernando Lopes

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