Quando Bolsonaro e outros condenados devem começar a cumprir penas? Entenda o processo

Ex-presidente terá de cumprir pena em regime fechado

Após a condenação em segunda instância, os réus têm a obrigação de iniciar o cumprimento de suas sentenças assim que houver o trânsito em julgado, ou seja, quando não houver mais possibilidade de recursos. Entre os casos mais comentados está o do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que pode enfrentar particularidades na execução da pena.

© Tânia Rêgo/Agência Brasil

Segundo especialistas, a saúde e a idade do ex-presidente podem levar à concessão de prisão domiciliar. Um precedente importante é o do ex-presidente Fernando Collor, que obteve autorização para cumprir pena em casa por questões médicas. “Em casos como este, é comum que o Judiciário considere o regime domiciliar quando há justificativas robustas de saúde e risco à integridade física do condenado”, explica a especialista Martins Luz.

Sobre a progressão de regime, Martins Luz detalha que será necessário cumprir pelo menos 25% da pena em regime fechado — o que equivaleria a cerca de sete anos — além de atender a requisitos como bom comportamento e participação em atividades de ressocialização.

Conforme noticiado pela CNN Brasil, a especialista ainda observou que, pelo ritmo atual dos julgamentos, o trânsito em julgado pode ocorrer já no início de novembro, um tempo mais rápido do que o habitual na corte. “O processo tem avançado em um ritmo mais célere, o que pode antecipar o início da execução das penas para alguns dos condenados”, acrescenta.

O desfecho deste processo terá impacto significativo no cenário político e jurídico do país, sendo acompanhado de perto por autoridades, especialistas e a sociedade em geral.

Entenda o caso

O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão em regime fechado. A decisão foi tomada pela Primeira Turma do STF após a fase de dosimetria, que define o tempo de pena de cada réu envolvido na chamada trama golpista.

Antes de definir a duração das penas, o colegiado considerou os crimes cometidos pelos oito acusados, incluindo organização criminosa armada, tentativa de derrubar violentamente o Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência, grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado. A condenação ocorreu por 4 votos a 1.

Apesar da sentença, a prisão de Bolsonaro e dos demais réus não é imediata. Eles ainda podem apresentar recursos para tentar reverter a decisão. Somente após o julgamento final desses recursos, caso sejam rejeitados, é que a execução da pena será efetivada.

Atualmente, Bolsonaro cumpre prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, e está inelegível desde junho de 2023. Caso a prisão seja confirmada, os réus não serão necessariamente enviados para presídios comuns. Oficiais do Exército e outros integrantes do núcleo militar da acusação têm direito a regime diferenciado, conhecido como prisão especial, conforme o Código de Processo Penal.

Entre os condenados estão quatro militares do Exército, um da Marinha e dois delegados da Polícia Federal. Alexandre Ramagem, delegado da PF e deputado federal, foi condenado apenas por parte dos crimes imputados, incluindo organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado, com suspensão de outras acusações.

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete aliados na ação penal da trama golpista. Da esquerda para direita: ex-presidente Jair Bolsonaro; general Braga Netto; general Augusto Heleno; almirante Almir Garnier, tenente-coronel Mauro Cid; deputado federal Alexandre Ramagem; ex-ministro da Justiça Anderson Torres; general Paulo Sérgio Nogueira. Fotos: Agência Brasil

O grupo inclui nomes de destaque do governo Bolsonaro, como os generais Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto, o capitão Jair Bolsonaro, o almirante Almir Garnier e o delegado Anderson Torres. A condenação representa um marco histórico no acompanhamento judicial de tentativas de golpe e abuso de poder no país.

Edição: Redação | matogrossodosulnoticias.com.br

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